segunda-feira, 30 de março de 2026

Toddynho com leite

Nem Pai Ernesto, nem Michelle Sensitiva, estava tão óbvio que nós mesmos conseguimos prever como o PT distribuiria suas linhas auxiliares para a eleição deste ano. Assim, nosso artigo do último Dia da Bandeira - 19 de novembro, os mais jovens em geral não sabem - terminava dizendo:

Em 2022 o MBL tratava Bolsonaro como o radical a ser trocado por uma "direita" ao estilo tucano. Agora outros ocuparão esse espaço e os menines serão deslocados para o ponto oposto do espectro, antes vazio. Com isso a direita que tem voto perderá alguns (não importa quantos) dos dois lados, por ser e por não ser radical. 

É a missão que os garotos receberam. E eles a cumprirão melhor que os demais ladrões de votos da direita porque já têm o discurso do segundo turno pronto: "Não vote em ninguém porque são todos iguais... Mas se votar lembre que o bolsonarismo é pior porque não deixa a verdadeira direita combater o petismo como se deve."

Quatro meses depois, a previsão se confirma com as constantes críticas das oncinhas à moderação "esquerdista" do Flávio. Elas independem do candidato, pois Bolsonaro só escolheu seu representante depois de nossa previsão, em 5 de dezembro. Tarcísio ou Michelle seriam atacados do mesmo modo, com o mesmo discurso.

A imprensa também faz sua parte. De lá para cá, toda hora sai uma notinha ou uma coluna de opinião que tenta levantar a bola do MBL. Até o especialista em evangélicos da Folha, obrigado a sempre escrever sobre o assunto, tascou esses dias que os evangélicos podem gostar do discurso de defesa da família do Renan.

E o centro?

Curiosamente, a vaga que continua em aberto é a da terceira via clássica, a quem cabe atacar o bolsonarismo pelo outro lado, acusando-o de radical. Agora sabemos que a tarefa foi entregue ao Kassab, raposa velha que, no entanto, não está conseguindo cumpri-la com a mesma eficiência das jovens onças. 

Entre seus três presidenciáveis, o mais capacitado a assumir o papel de "nem lá, nem cá" era Ratinho Jr., que acabou desistindo. Caiado, o eterno mega ultra radical de direita da eleição de 1989, não se encaixa muito bem no figurino. E Eduardo Leite é o mais tucanopetista dos três, mas é o mais fraco em termos eleitorais.

Como ficará?

Creio que não haverá nenhuma grande novidade nessa tentativa petista de cercar a direita com suas linhas auxiliares. Falando o que bem entendem sem obrigação de fazer, os menines estão confortavelmente posicionados como os "fodões" da jogada. E do outro lado não dá mais tempo de inventar um novo nome "moderado".

Quanto a quem encarnará a "terceira via", acredito que, apesar dos pesares, o escolhido será o Eduardo Leite. Com isso, no país que já teve a política do café com leite, a esquerda tentará cercar a direita com a tática do Toddynho com Leite. Como um leite bem fraquinho porque o achocolatado já vem com um pouco dele.

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