segunda-feira, 23 de março de 2026

Tela de sucessos

Num exemplo do que acontece hoje no Judiciário, seis dos dez integrantes do STF tiveram seus rendimentos engordados nos últimos anos por valores que, no total, são relativamente pequenos, menores que 200 mil reais, mas podem se aproximar de um milhão no caso de Gigi e ultrapassar esse limite no de Xandão.

O pior é que não são só eles, esse extra foi pago a todos quantos exerceram funções idênticas a dos atuais ministros em épocas recentes. O truque é simples: as categorias (da Justiça) solicitam alguma "verba indenizatória" ou outro tipo de benefício à Justiça; a Justiça acaba lhes dando razão e ordena que o pagamento seja retroativo, abrangendo todo o período decorrido desde a solicitação.

Não é uma maravilha? O sujeito nunca ganha mal, tem auxílios que quase lhe permitem viver sem tocar no salário, tem direito a uma aposentadoria do mesmo nível ou até melhor, e de tempos em tempos passa a receber mais alguns caraminguás que são anunciados por uma bolada relativa ao passado. Para quem mudou de cargo nesse intervalo, que é o caso dos ministros, a bolada vem igual.

O pior é que isso vai sendo normalizado. Como é natural, a maioria adota um padrão de vida compatível com seus ganhos e se recusa depois a baixá-lo. Os membros de certas carreiras públicas se sentem hoje no direito de ganhar tanto quanto muitos empresários ou profissionais liberais bem-sucedidos. E sem correr risco algum.

A "moral" da Lei Rouanet tomou conta do Brasil, particularmente do Judiciário. Se você fizer parte da corriola o Estado garante o seu sucesso financeiro independente do resultado apresentado; se não fizer, vire-se como puder. 

Dancinha

Estão dizendo por aí que a dancinha do Flávio em Natal é uma tentativa de copiar a ideia da dancinha do YMCA que marcou a campanha do Trump. Se for, espero que mudem um pouco a coreografia, pois a primeira versão está longe de ser aquela coisa gay do Docinho, mas ficou meio exagerada.

Isso na minha opinião, é claro. Pode ser que a maioria goste, ou que gostem no Nordeste onde ele estava - talvez em outra região Flavio tenha que entrar como se estivesse bailando com uma parceira ao som de um hit sertanejo. Os marqueteiros que inventaram isso devem estar mensurando o resultado.

O que eu acho que eles manterão é a movimentação do candidato, pois um dos objetivos da coisa deve ser mostrar como ele é jovem e dinâmico em relação ao adversário. Creio que não foi por acaso que ontem mesmo divulgaram imagens do descondenado (ou um sósia) dando uma corridinha e fazendo exercícios.

Não é de duvidar que isso acabe sendo tema aberto de campanha, com o pessoal desafiando o Molusco a mostrar sua boa forma física ao vivo ou algo equivalente. Num país em que cultura é quase um sinônimo de dancinha folclórica idiota, só falta mesmo decidirem quem será o presidente num concurso do tipo. 

Love is in the air. A eleição também.

  

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