domingo, 15 de fevereiro de 2026

De pequenino se proíbe o pepino

Políticos de esquerda e de direita convergiram em torno de uma única e má ideia: que para proteger as crianças, elas devem ser proibidas de usar as redes sociais. Isso fará mais mal do que bem. As crianças encontrarão maneiras de burlar os controles: algumas já descobriram que podem enganar as IAs franzindo as bochechas para parecerem mais velhas.

O texto é da esquerdista The Economist, que, não exatamente preocupada com a censura, mas com sua eficiência, o complementa dizendo: Em vez de aumentar os limites de idade, os governos deviam pressionar as empresas de tecnologia para que tornem seus produtos mais seguros para adolescentes. 

Creio que, nas entrelinhas, o que a revista está lembrando aos amigos de esquerda é que censurar abertamente a população terá um duplo efeito contrário. O cidadão aprenderá a burlar os controles e, nos países em que pode escolher, tenderá a abandonar os políticos que os defendem, sejam eles de esquerda ou da "direita" que a esquerda tolera. 

A melhor jogada, do ângulo dos censores, é mesmo pressionar as empresas para que o usuário não tenha a quem reclamar. O que o cidadão comum podia fazer no tempo em que o Twitter era dominado pelos cabelos azuis? Nada, a empresa tem direito à sua política interna e se você não gosta dela é só não usar os seus serviços.

Até Donald Trump teve sua conta bloqueada nessa época da qual a esquerda morre de saudade e à qual pretende sempre voltar. Como já experimentaram esse gostinho, eles não admitem que as coisas tenham mudado e querem encontrar brechas para controlar novamente a situação.

A má notícia é que eles conseguem avançar. Na Europa e em países como o Brasil, toda hora surge uma nova tentativa de controle; para não correr o risco de um processo, empresas como o Youtube estão limando usuários por qualquer mínima desconfiança; se Musk não tivesse comprado o X e Trump tivesse sido eleito, seria muito pior.

A boa notícia é que Elon está com boa saúde e Donald está comandando uma cruzada pelos antigos valores ocidentais. Agora mesmo, em Munique, no evento em que JD Vance no ano passado criticou o ataque da esquerda europeia à liberdade de expressão, Marco Rubio voltou a tocar na ferida.

A reação dos criticados foi idêntica a de um ano atrás: eles defendem a sagrada liberdade de expressão, mas... e aí vem aqueles discursos cínicos ao estilo Carminha censora. Apesar da pressão americana, eles se recusam a reconhecer o que estão fazendo e mudar.

Isso deve se resolver com eleições. Se a turma de Trump for derrotada a censura pode prevalecer. Mas deve acontecer o inverso se a direita que eles chamam de ultradireita chegar ao poder em países como a França. Como lembra a The Economist: eles dependem dele, é perigoso ficar de mal com eleitor.

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