Quem diria, uns 30 anos atrás, que a grande figura histórica da América do Sul não seria Simon Bolívar, mas Solano López. Foi nessa época, mais precisamente em 2026, quando Trump invadiu a Venezuela e deu início à derrocada do bolivarianismo, que se plantaram as sementes do que hoje chamamos de solanismo.
Tudo começou quando brasileiros cansados dos altos impostos do regime pró-bolivariano instalado após à famosa eleição de 2022 - aquela em que um dos responsáveis pela condução do processo confessou que ele e seus colegas derrotaram um dos candidatos - passaram a emigrar em número crescente para o Paraguai.
Esses novos paraguaios em geral enriqueciam o país com suas qualificações profissionais e recursos financeiros. Eram milhares de pessoas físicas por ano, depois dezenas de milhares, depois... O censo parcial de 2046 estimava que os paraguaios de origem brasileira recente constituíam 25% da população total do país!
O mesmo aconteceu com as pessoas jurídicas. Conforme elas saíam, o governo brasileiro aumentava os impostos das que ficavam para aumentar a perda de arrecadação... e isso fazia mais empresas saírem, numa retroalimentação que tornava o Paraguai cada vez mais forte economicamente e mais atraente.
Desesperado com a perda de arrecadação, o governo brasileiro certo dia decidiu mandar o Mercosul às favas e cobrar taxas dos produtos paraguaios destinados ao Brasil ou que precisam transitar pelo seu território. E eram taxas ao famoso estilo Haddad, escorchantes, que em pouco tempo quebrariam a economia do país.
Pressionado pela situação, sem espaço para negociação, os paraguaios optaram pelo que veio a ser chamado de solanismo: formaram um exército com maioria de descendentes de brasileiros e invadiram militarmente o vizinho. Não todo ele, mas as três regiões onde se concentravam seus clientes e interesses: Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Surpreendidos pela rápida ação, os militares brasileiros dessas regiões largaram os pincéis no meio da rua e correram para os quartéis. Porém o governo não havia comprado munição suficiente para mais de dois dias e, decorrido esse prazo, eles foram obrigados a se render.
Ao abandonar Brasília às pressas, a presidente Lurianzinha apelou para que a população resistisse. No entanto, revoltados com a recente lei que fazia o voto do Nordeste valer por dois "para corrigir diferenças históricas", os habitantes das regiões invadidas mandaram-na pastar e receberam amistosamente os paraguaios/brasiguaios.
Estes, por sua vez, retribuíram permitindo-lhes que se organizassem como um país independente e governo próprio. E o povo gostou tanto desse arranjo que preferiu continuar assim, formando o Brasil do Sul, que, de acordo com lei já aprovada, em 2057 deve passar a se chamar apenas Brasil.
Em São Luís, o governo do Brasil do Norte protestou e prometeu reunificar a nação. Mas sua preocupação atual é aumentar o valor que o presidente Rubio Jr. ofereceu pelo que resta da Amazônia. Otimista como o avô, Lurianzinha confia que conseguirá o suficiente para pagar as bolsas que sustentam 90% de sua população por mais alguns anos.

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