domingo, 4 de janeiro de 2026

Soft power

Por trás da operação de captura do ditador socialista/bolivariano está a ideia de que Trump quer dividir o mundo em zonas de influência das três grandes potências militares de nossa época. Ele cuida do canto dele, a Rússia e a China dos delas, e ninguém se mete na área do outro para não dar briga séria.

Claro que isso não significa submissão integral e países como a Índia, por exemplo, devem continuar bastante independentes. Para a maioria, no entanto, o problema é aceitar isso numa boa. E aí surgem as diferenças entre os três grandes e se nota uma grande vantagem americana. 

Tomemos o exemplo da Venezuela. É evidente que Maduro tem apoiadores, talvez tenha até um bom apoio entre o povão que dependia do governo e a meia dúzia que roubava com ele no topo. Mas a classe média (ainda que empobrecida) o detesta em sua imensa maioria; e é ela que sai às ruas, fala nas redes etc.

Multidões devem apoiar o novo arranjo do país assim que o pessoal perceber que não precisa mais ter medo de protestar publicamente. E algo semelhante aconteceria em países da região que ainda estão sob controle dos bolivarianos/socialistas, como Brasil, Nicarágua ou Colômbia. 

Em resumo, os EUA têm a simpatia de grande parte da população dos países da sua zona de influência. E mesmo quem não os aprecia tanto assim prefere ficar com eles do que com as outras opções. Com China e Rússia é o inverso, com exceção de algumas ex-repúblicas soviéticas e as Coreias do Norte da vida, quase ninguém gosta deles.

A língua é diferente, o alfabeto é diferente, os costumes são diferentes. Eles podem tentar disfarçar por algum tempo, a China tenta mais que a Rússia, mas as diferenças acabam aparecendo. Mesmo nos países mais frágeis da África, em que a China foi entrando aos pouquinhos, ninguém mais aguenta os chineses.

É o soft power, que não se adquire de um dia para o outro e não pode ser só propaganda. Os americanos podem ser eventualmente autoritários, mas, graças a uma longa tradição democrática interna, conseguem ao menos fingir respeito aos locais. Russos e chineses podem tentar, mas seu autoritarismo acaba por aflorar.

Já foi assim no passado, os soviéticos precisavam construir muros para a população por eles controlada não fugir para o lado da burguesia decadente. E mais grave é o que fazem os comunistas chineses, acostumados a desprezar e tentar destruir culturas milenares como a tibetana ou a uigur.

Por fim, temos hoje as redes sociais. Até a esquerda americana e europeia quer censurá-las, mas com russos ou chineses seria muito pior. Com interesses econômicos ou não, acho que Trump aumenta muito o soft power americano ao lutar pela liberdade nessa área. Quem quer ser censurado? Melhor ficar com ele para não ser.


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