terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Péssimo exemplo

O presidente do STF, ministro Roberto Barroso, assinou um acordo de cooperação técnica com a empresa Biofílica Ambipar Environmental Investments. O objetivo da parceria é executar a compensação integral das emissões de gases de efeito estufa associadas às atividades do Supremo. "Queremos ser exemplo para o Judiciário e para todas as instituições públicas do país", afirmou o ministro.

A notícia é de maio passado, quando, na qualidade de presidente do CNJ e com o senso de ridículo obscurecido pelo discurso lacrador, o então ministro já havia determinado que todo tribunal do país fizesse sua parte na emissão dos tais gases. Mas a sua relação com a empresa era conhecida desde janeiro.

Naquele mês, como a confirmar o poder do consórcio bolivariano entre PT e STF aparelhado, o representante do governo brasileiro na reunião de Davos foi o próprio Barroso! Um juiz falando por um país! Mas outros inúteis do desgoverno estavam lá aproveitando a boquinha, e a Ambipar também. Na ocasião, há um ano, escrevemos:

"... enquanto Barroso arrotava suas asneiras em público, nos bastidores o Ministério dos Povos Indígenas firmava um 'memorando de entendimento' para que o grupo Ambipar possa participar da gestão de todas as terras indígenas do Brasil, uma área que abrange 14% do território nacional. O negócio é escandaloso até para os padrões petistas. O ministério não pode fechar acordos em nome dos povos indígenas, a empresa foi escolhida sem qualquer consulta pública ou processo de concorrência, o acordo foi fechado sem que o Congresso pudesse analisá-lo e assim por diante."

Com todo esse prestígio, a Ambipar, que já ultrapassara gigantes da bolsa como Embraer e Gerdau, valorizou-se ainda mais. Quem quase literalmente vendia vento passou a ser tratado como um portento. E o resultado de tantas pontas podres não se fez esperar.

As notícias sobre a empresa agora envolvem fraude contábil com derivativos e manipulação de ações, credores cobrando dívidas de 10 bilhões de reais, desaparecimento de quase 5 bilhões de reais do caixa, ações reduzidas a nada, operações envolvendo o empresário Nelson Tanure e o Banco Master...

Não sei exatamente qual é o impacto da Ambipar no caso Master, mas não é difícil entender que os convênios da empresa com o desgoverno lulopetista e o seu STF contribuíram para que ela enganasse mais pessoas por mais tempo. E é pensando nessas coisas que encontramos mais uma coincidência.

O escândalo do INSS já havia estourado quando Lulinha fugiu para a Espanha, mas, apesar do papel de seu pai e do seu tio ser um dos principais responsáveis pelos desvios, ninguém ligou uma coisa à outra. Só depois se soube que ele tinha um parte no butim, tendo levado 25 milhões de entrada e mais um mesada de 300 mil.

O Banco Master foi impedido de conceder novos consignados em setembro e liquidado extrajudicialmente em novembro. Pouco antes, em 20 de outubro, a Ambipar entrou com um pedido de recuperação judicial. No meio disso tudo, em 9 de outubro, Barroso despediu-se apressadamente do STF e sumiu de cena, esquecendo até da embaixada europeia que tanto pretendia.

Todos pensamos que ele queria fugir da Lei Magnitsky que já havia sido aplicada contra Moraes. Mas talvez sua saída tenha mais a ver com a situação do Lulinha do que com a do colega. Vendo amigos sumindo com bilhões e outros com contratinhos de centenas de milhões, ele não teria desejado também uma fatia do bolo?

Fica a dúvida, uma delas. A outras é: que empresa espanhola contratou Lulinha, cuja única qualificação é ser filho do descondenado? Imagine o escândalo que a mídia faria se o irmão de Bolsonaro roubasse velhinhos e seu filho recebesse mensalmente parte do roubo, até o faxineiro da empresa já teria sido entrevistado.


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