Esperei para conferir, só encontrei hoje um artigo em que Alexandre Garcia lembra que quem mata não é o revólver, a faca ou, no caso, o automóvel utilizado, por ciúmes, em um atropelamento proposital. Como? Isso acontece pouco depois da morte da moça arrastada pela marginal e ninguém fala nada? Todes às ruas e...
Não, péra. É que desta vez foi a namorada quem matou o namorado e não existe machocídio. Acho que ela até poderia ser enquadrada em feminicídio porque também matou a menina que estava na garupa da moto pela carona, sem ter nada com o sujeito, mas parece que a acusação vai ser mesmo de duplo homicídio.
E isso porque a assassina deu bandeira. Ficou enviando mensagens de zap ameaçadoras para amigas que estavam num churrasco com uma turma que incluía o namorado, jogou o carro em cima da moto na frente de uma câmera de vigilância, e ainda mandou um colega socorrer "teu amigo e a vagabunda que eu acabei de matar".
Talvez ela seja condenada pela justiça, mas os artigos chorosos e toda aquela movimentação na imprensa você pode esquecer, o assunto já foi abandonado. Como sempre, o que interessa é a causa, a possibilidade de usar o fato excepcional para criar alguma nova restrição à vida da imensa maioria que nunca faria algo parecido.
Começa em casa
Em termos de atitude moral, qual é a diferença básica entre substituir as pessoas que a sua avó segue na internet (porque ela não sabe quem deve seguir) e pegar o seu dinheiro e gastar no lugar dela (porque ela não sabe em que deve gastar)? Não existe diferença, o abuso é o mesmo.
Agora imagine gente com essa mentalidade gerindo dinheiro público, definindo políticas de comunicação e coisas do tipo. Nem precisa se esforçar, é só ver que os adolescentes quarentões do MBL já defendem na prática a roubalheria do petismo, a censura da internet e as perseguições políticas do STF.
Uma vizinha tem um neto complicado. Esses dias apareceu, disse-lhe cobras e lagartos e foi embora. Quando ela ficou sozinha, dois pedreiros que estavam fazendo uma reforma na casa lhe disseram: "A senhora desculpe, ele é seu neto e nada nosso, mas se esse menino fizer isso outra vez na nossa frente nós vamos bater nele."
Isso está muito mais próximo da mentalidade do povo do que o babaquinha chapado que acha divertido tentar enganar a própria avó. Até entre bandidos, quem não respeita a família apanha. Mas os caras estão tão imersos na própria bolha, tão distantes dos valores da maioria, que pensam estar arrasando ao divulgar um vídeo em que confessam com orgulho sua desonestidade essencial.
Estão só se queimando fora do público infanto-juvenil. Mas os líderes sabem disso, sabem que perderão os seguidores que amadurecerem e tentam substituí-los por crianças que chegaram à idade de votar. Qualquer coisa vale para tirar uns votinhos da direita, manter os patrocínios do tucanopetismo e uma verbinha eleitoral.
Divertido mesmo será daqui a umas duas eleições, quando a idade chegar e, para repor seu rebanho infantil, eles se virem obrigados a dizer que os jovens devem seguir o exemplo de pessoas mais velhas e experientes como o tio Renan e o tio Mamãe.

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