Ao voltar para Portugal, D. Pedro I deixou seus filhos aos cuidados de três pessoas: José Bonifácio, que dispensa apresentações; a Condessa de Belmonte, que as crianças apelidaram de Dadama; e Rafael, um negro liberto, veterano da Guerra da Cisplatina que havia ganhado a confiança da família imperial.
Missão dada, missão cumprida; Rafael se tornou um grande amigo de D. Pedro II e acabou sendo tratado como alguém da família. Mas não o era para os militares que deram o golpe de 15 de novembro, que o deixaram de lado quando enviaram a família imperial para o exílio, dois dias depois.
Rafael, que estava com 99 anos e perdera a antiga acuidade mental, só entendeu o que havia acontecido quando seu "menino" já estava a bordo do navio que o levaria para a Europa. Abalado com as notícias, não resistiu à dor que o acometeu. O motivo técnico pode ter sido outro, mas morreu de desgosto.
Enquanto isso, no navio, quem passava mal era a Imperatriz Teresa Cristina. Não pelas condições materiais, pois, embora educada para ser princesa, seguia o marido em exemplos de simplicidade que incluíam usar vestimentas normais e, dizem, às vezes cozinhar para a família como qualquer dona de casa.
O problema era a situação que eles estavam passando, pois o abalo do espírito faz o corpo adoecer. Chegou mal a Portugal e foi piorando nas semanas seguintes, terminando por falecer no dia 28 de dezembro. Oficialmente, a causa foi uma parada cardiorrespiratória. Na prática, morreu de desgosto.
O Imperador resistiu mais um pouco. Com recursos pessoais modestos - por decisão dele, o percentual da corte sobre os gastos públicos tornou-se seis vezes menor ao longo de seu governo - precisou contar com a ajuda de amigos para passar a viver em hotéis de médio padrão.
Nesse ínterim, os problemas de saúde que o haviam afetado poucos anos antes voltaram a incomodá-lo e se agravaram. Faleceu quase dois anos depois da esposa, em 5 de dezembro de 1891, no hotel Bedford, em Paris. Oficialmente, de pneumonia. Na verdade, de desgosto também.
A imagem acima tem sido comumente utilizada para representar Rafael, o "anjo negro do Imperador", porém nada indica que ela seja verdadeira. Não importa, ela representa um brasileiro normal, de quem não se sabe nem o sobrenome. Mas de quem se pode entender sem muita dificuldade o sentimento.

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