sábado, 6 de dezembro de 2025

Controlar a situação

Consternação geral no Centrão. Segundo o Consórcio, também abalado, muitos acreditam que não é pra valer e Bolsonaro vai mudar depois. Mas por que ele faria o próprio filho passar por isso ao invés de escolher o nome definitivo? A resposta é simples: ele só indicou o Flávio para "tentar controlar a situação".

As premissas embutidas no raciocínio chegam a ser divertidas. Bolsonaro teria direito a escolher um sucessor, mas desde que este seja quem um cacique que continua a apoiar o desgoverno quiser. E sua indicação é importante (ou ninguém se preocuparia com isso), mas ele não pode "controlar a situação".

É divertido mesmo, poderia ser um quadro do Zorra Total. O garçom entrega o menu ao cliente, mas se recusa a pedir o prato que ele escolhe, exige pagamento antecipado com gorjeta reforçada e manda o coitado esperar pela comida de pé para não ocupar o espaço em que quer instalar um amigo que está por chegar.

O interesse pessoal de Bolsonaro coincide, neste momento, com o de todos aqueles que não querem ver o país se transformar de vez numa Venezuela bolivariana com valores e aliados globalistas. O que exige muita coisa, mas deve começar com a anulação das condenações pelo falso golpe.

O que os chorosos estão fazendo pela anistia que aprovariam amanhã se batessem o pé no chão? Se não compram a briga hoje, por que o fariam quando Bolsonaro lhes desse seus votos e não pudesse mais "controlar a situação"? Só não dá para mandá-los tomar naquele lugar porque um é o Kassab, que segundo a Martaxa ia gostar.

Controlar a situação mundial

Passou meio batido devido às notícias domésticas, mas ontem o governo dos EUA apresentou um documento que define seu pensamento sobre o atual estado do mundo e sua nova estratégia de segurança nacional, baseada, sobretudo, no predomínio norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental.

Rússia, China e o resto do pessoal estranho? Tentaremos não brigar e outras amenidades diplomáticas. A turma do Oriente Médio? Desses queremos ser amigos, mas nada de impor valores, deixem-nos viver com seus exotismos em paz. África? Não dizem nada, mas o pessoal nunca fala da África mesmo.

Eles falam muito é da Europa, que estaria regredindo graças a fatores como a imigração descontrolada e a censura das redes sociais. Bastante duro nesse ponto, o documento fala em "perspectiva de extinção civilizacional" que coloca em dúvida a confiabilidade dos parceiros europeus a longo prazo. 

Quanto à América Latina, a posição é uma mescla de Doutrina Monroe com batida do BOPE. Aqui é o quintal onde não se pode admitir as influências de outras potências internacionais e as atividades deletérias dos cartéis narcoterroristas. Se necessário, em qualquer dos casos, deve-se usar a força militar.

É bom ouvir isso num momento em que se receia que o governo Trump possa aliviar a situação dos violadores de direitos humanos que oprimem a nação. Triste é depender mais dele do que dos que nada fazem para resolver o problema e ainda se acham no direito de reclamar. 


Imagem: Rede de fast food australiana em que o cliente paga para ser mal atendido.

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