No rápido encontro de hoje de manhã no Canadá entre Mauro Vieira e Marco Rubio - não mais do que cinco minutos - os dois concordaram a respeito dos avanços que têm ocorrido nos grupos técnicos de Brasil e EUA que vêm discutindo a questão das tarifas, segundo relatos do chanceler brasileiro a interlocutores. Ou seja, a parte econômica, técnica, está bem encaminhada (...)
Quem diz é Lauro Jardim, um dos capatazes encarregados do gado petista. Mas o que ele diz é o que nós cansamos de repetir, a parte "técnica" é tranquila. É até provável que Trump mande aliviar o café como prova de boa vontade ou coisa assim. O problema é a outra parte, que o gado mais radical julga nem existir. O capataz continua:
(...) O que falta agora é a política. E essa nova etapa depende de duas novas reuniões. Uma entre o próprio chanceler e o secretário de Estado dos EUA - que ainda não tem dia certo para acontecer, mas a ideia é que seja em breve. E outra, depois, entre Lule e Donald Trump.
Ah, então existe mesmo uma parte política. E é por isso que o Bananinha e o Figueiredo diziam que não se podia negociar com lobistas de empresários, mas com o próprio Molusco, que conseguiu escapar do assunto até cair na armadilha de Trump na ONU. O capataz já está acostumando o gado com a ideia que tanto o desagradava.
Deve ter até integrante do rebanho que já está pensando: "O que conterá essa parte política? Será que o Trump quer aprender o truque da cervejinha e outras técnicas de negociação com nosso maravilhoso ex-sindicalista? Ele já falou de censura das redes e da condenação de Bolsonaro, mas deve ter falado por falar, não deve ter nada disso."
Se tiver, será que as coisas transcorrerão como o seu dono disse? Ele conseguirá mostrar ao Trump que o Bananinha o enganou quando falou em julgamentos políticos? Vai convencê-lo a devolver os vistos retirados, cancelar as Magnitskys e deixar de se envolver com nossos assuntos, tudo sem dar nada em troca?
Quando pensa, o gado pensa assim. Mas cá entre nós, isso não parece muito realista. As fichas de Trump são muito maiores, ele pode não só manter as sanções e parte das tarifas, mas ampliá-las. Pode usar a seção 301 contra empresas ligadas ao desgoverno, pode aumentar a lista da Magnitsky e fazê-la ser respeitada. E por aí afora.
Três opiniões
O descondenado vai tentar enrolar. Mas a turma que está com a espada sobre a cabeça quer retirá-la. Eles também não gostariam de ceder, mas nenhum é ideológico, nenhum está disposto a morrer pela causa. Seu maior interesse é manter a boa vida e os bolsos cheios. Eles devem pressionar internamente pelo acordo político.
Claro que seria ideal puni-los por seus crimes, mas Trump está certo ao não distribuir Magnitskys a rodo e não forçar o cumprimento da atual. Como diz o velho livrinho, um exército totalmente cercado luta como um leão, você deve deixar uma saída aberta para que eles fiquem pensando se não é melhor fugir por ali enquanto dá.
Garantir suprimentos indispensáveis e trazer de volta empresas estratégicas não são questões econômicas, são preparação para uma guerra. Os europeus toda hora falam em guerra, Trump está com esse horizonte na cabeça e, no que nos toca, não quer ver seu quintal usado pelo inimigo. Um modo de fazer isso é garantir que os lacaios do inimigo não vão reinar no quintal como bem entenderem.

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