domingo, 7 de setembro de 2025

Terra rara

Nada mais oportuno que louvar nossa terra no dia da sua independência. Nada mais fácil, pois até as aves por aqui gorjeiam melhor que lá. Eu te amo, meu Brasil, eu te amo, meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil. E por falar no assunto, mulher que nasce aqui tem muito mais amor.

Nossa raridade tem raízes genéticas. Outros países (se não todos, a imensa maioria) se formaram ao longo do tempo. Nós fomos descobertos já praticamente prontos. O pessoal estava andando por aí, virou demais pro outro lado e tchan, nós entramos em cena como o coelho da cartola do mágico.

Com esse início não podia dar outra, tudo aqui foi saindo meio diferente. Somos a pátria do ineditismo, para o bem e para o mal. Ganhamos três copas antes de todos e ficamos de vez com a Jules Rimet. Mas deixamos a taça ser roubada e nunca antes (ou depois) alguém tomou goleada de sete em casa numa semifinal.

Esse aspecto negativo tem predominado ultimamente. O Butão não nos deixou ser a única nação com voto eletrônico sem comprovante, mas eles têm um rei bem educado enquanto nós elegemos um corrupto semianalfabeto. E por três vezes, se tivesse taça pra isso a levaríamos em definitivo também.

Para piorar, nem é o cara que manda, mas um pequeno grupo de juízes que tomou o poder e o exerce sem restrições. A lei diz uma coisa, mas eles usam seu poder de interpretá-la para fazê-la dizer o que lhes interessa e fica por isso mesmo. Ditadura de juiz, você já ouviu falar de algo assim em outro lugar? Pois é.

Felizmente, surgiu uma esperança. De novo, parece coisa de filme, no caso aquela parte do final do Apocalypto em que os guerreiros maias estão prestes a matar o herói quando levantam os olhos e largam tudo, espantados com os espanhóis que estão chegando em seus galeões.

Nosso espanhol é alaranjado e nossa torcida é que ele detone os sacerdotes que querem manter sua soberania para continuar arrancando corações na pirâmide. Estes inicialmente apostaram que ele logo perderia o interesse em nos civilizar, mas surgiram bons motivos para pensar o contrário.

É que está saindo uma espécie de novo Tratado de Tordesilhas e nós ficamos do lado da linha que o Laranjão tem preferência para explorar. Mais importante ainda, entre quem está nesses meridianos nós somos quem tem, de longe, o maior estoque das indispensáveis terras raras. O espanhol precisa nos manter em seu império.

Que coisa, quem diria que a história de terra rara acabaria sendo literal. É um pouco chato isso, a gente se sente como aquelas moças que pensavam estar sendo admiradas pela inteligência e descobrem que o pessoal só está de olho em sua bunda. Mas não há o que fazer, o negócio é se adaptar.

O Sargentelli é que sabia das coisas, tanto que nunca teve problemas com sobretaxas de exportação. Oba, oba! 


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