segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Excessos e heterodoxias

O Supremo decerto cometeu excessos e heterodoxias nos últimos anos, mas cumpre seu papel ao escrutinar os graves acontecimentos que vão do desfecho das eleições de 2022 ao ataque de bolsonaristas às sedes dos Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Defendendo o "julgamento" de Bolsonaro, isso é o que teve coragem de escrever a Folha em editorial de ontem. O jornaleco que esconde a Vaza Toga finge desconhecer que os "excessos e heterodoxias" se estenderam ao "desfecho das eleições", causando as inconformidades que chama de "graves acontecimentos".

Quais desses acontecimentos podem ser imputados a Bolsonaro? Em toda a novela, ele só aparece em uma reunião em que alguém propõe a decretação de medidas constitucionais que deveriam ser aprovadas pelo Congresso e, após consultar subordinados, decide não solicitá-las. Ela não era, mas se a "minuta" fosse mesmo golpista, a reunião provaria que ele NÃO quis dar golpe algum.

Aí é que está a importância do 8/1. É ridículo imaginar que Bolsonaro entregaria o comando das FFAA para dias depois tentar um golpe com civis inofensivos entrando num prédio. E num processo normal seria necessário provar que ele comandava aquelas pessoas, o que não pode ser feito porque não aconteceu. Mas o 8/1 é tudo que eles têm para vender como a "tentativa" que a lei exige para caracterizar um crime.

Por isso a recusa feroz a não anistiar aqueles brasileiros comuns que pensavam estar apenas exercendo seu direito de protestar quando caíram na armadilha dos que os atacaram com bombas e balas enquanto os convidavam a se abrigar nos prédios que seriam acusados de invadir. Brasileiros como a moça cuja história é contada no print abaixo.

Com a palavra os que por omissão ou ação permitiram essas barbaridades (e o desastre do desgoverno) porque passaram a antipatizar com Bolsonaro. Cada um guarda uma parte do corpo destroçado.

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