Quem não lembra do "popular", aquele cara que não tinha nada a ver com a história, mas sempre aparecia na foto do jornal? O cadáver estava no chão coberto com um lençol, a polícia ao redor, o rabecão... e o popular com aquele copo de pinga, tomando um cafezinho no balcão do boteco desfocado no cantinho da imagem.
Também tinha o popular participativo, que dava um jeito de se enfiar entre os policiais ou os enfermeiros e você só reconhecia num segundo instante. Essa é a categoria em que se enquadra o amizade aí de cima, que aparece de camisa branca (todo bom popular usava camisa branca) logo atrás do Maduro.
Com o país correndo o risco de ser invadido, o grande líder reúne seus ferozes militares para botar medo nos imperialistas. E o popular que estava passando por ali arruma um boné vermelho e vai junto, todo sorridente, curtindo a corridinha. Os marines devem estar preocupadíssimos depois disso.
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Por aqui temos uma nova versão do fenômeno. Como o ataque estadunidense veio pelo judiciário, foi por lá que o popularismo se manifestou. E como a gentalha não tem acesso à cúpula desse poder, coube a um dos seus membros assumir o papel antes exercido por um qualquer.
Eles estavam todos de braços dados, correndo para mostrar união em torno do já sancionado e procurando manter a fantasia de que respeitam as leis. Então, de repente, o gordão entrou no meio e chutou o pau da barraca, ameaçando obrigar os bancos brasileiros a quebrarem para seus amigos continuarem usando cartão.
Tem lei que obrigue o banco a aceitar um cliente criminoso? A gente nem precisa conhecê-las todas para saber que não, pois se tivesse eles diriam "de acordo com o artigo x da lei y..." Populares não se preocupam com essas formalidades, ele só teve a ideia de que essa seria uma boa solução e mandou ver.
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Quem também mudou bastante foi a grande imprensa, que não parece nem um pouco preocupada com a provável ilegalidade da ameaça gordística. Para o jornalista médio de hoje em dia, os supremos estão sendo "atacados" e podem revidar pressionando quem está ao seu alcance, ponto final.
A lógica é de briga de rua. Ou pior, de máfia que ameaça botar fogo no boteco se o dono resolver cumprir a lei. Se os entregassem a populares escolhidos ao acaso nas ruas, nossos jornalões ficariam muito melhor.

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