sábado, 30 de agosto de 2025

Perigo real e imediato

Como abuso pouco é bobagem, após se ver obrigado a usar tornozeleira eletrônica e ser colocado em prisão domiciliar antes mesmo da farsa que será seu julgamento, Jair Bolsonaro sofreu a ameaça de ter sua residência permanentemente invadida por agentes da Polícia Federal.

Os prestimosos policiais concluíram que apenas observar o lado de fora de sua casa 24 horas por dia não era suficiente, pois ele ainda poderia evadir-se do local de três diferentes maneiras: disfarçado, escondido no porta-malas do carro de um visitante ou pulando o muro para a casa do vizinho no meio da noite.

É uma pena que nossa imprensa não se aprofunde nesses temas, pois, só para dar um exemplo, seria interessante saber do que se receava que ele pusesse se disfarçar. Teria que ser de alguém autorizado a entrar anteriormente. Dona Clotilde, a faxineira que vai lá uma vez por semana? O filho que foi abraçá-lo? 

De qualquer maneira os agentes têm razão quando alegam que a vigilância interna seria mais eficaz. Se Bolsonaro entrasse no banheiro e meia hora depois Dona Clotilde saísse, o encarregado de vigiar a porta do recinto perceberia que algo estava errado e alertaria seus colegas a tempo de impedir que a fuga se concretizasse.

Mas a verdade é que há riscos que não foram considerados. Aproveitando que hoje é sábado, imagine que Bolsonaro vá para o pátio e finja que está fazendo um churrasco. O helicóptero das forças especiais americanas se aproxima rapidamente e dois seals amarrados por cabos o resgatam, deixando-o na embaixada. Pronto, fugiu.

Maior ainda é a possibilidade dele escapar por baixo. Quem garante que nessas semanas de prisão domiciliar já não foi cavado um túnel do quarto de um vizinho para o de Bolsonaro? Ele poderia deixar sua residência a qualquer momento e depois sair do condomínio no porta-malas do cúmplice. Ou disfarçado como sua faxineira.

A tornozeleira deveria dar sinal se ele se deslocasse dessa maneira. Mas nem a direção da PF confia muito nela e o Mossad pode ter enviado aquele pessoal que explode pager no bolso de inimigo para criar um falso sinal. Não devemos esquecer que, exceto pela nossa urna eleitoral, qualquer dispositivo eletrônico pode ser adulterado.

Assim, todo cuidado é pouco. Apesar da idade e dos problemas decorrentes das nove cirurgias recentes o homem é um novo Jack Ryan, o perigo dele fugir é imediato e real.

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