Ontem foi o Débi Ex-tadão, hoje é a Lóide Foice quem, em editorial, se horroriza com o "disparate" que seria a adoção do voto impresso (e consequentemente auditável), previsto no projeto original das urnas eletrônicas. E o pior é aguentar a argumentação para débeis mentais do jornalão. Acompanhe aí:
O mais vistoso deles [dos erros do projeto] é a ideia de levar o país de volta aos tempos do voto impresso. Já declarada inconstitucional pelo STF, a medida é um mero espantalho a serviço de Bolsonaro, interessado em perpetuar a ofensiva contra as instituições democráticas.
Nós nunca tivemos voto impresso - voto manual é outra coisa - e, portanto, não podemos voltar a tempo algum. A Folha não desconhece isso e mente conscientemente. Se alguém já sai argumentando de forma desonesta é porque sabe que não tem razão.
A declaração do STF é outra das invenções das pessoas que hoje o dominam e distorcem as leis a ponto de, por exemplo, condenar pessoas desarmadas por tentativa armada. Como argumento não vale nada.
Milhões de pessoas concordam com Bolsonaro nesse aspecto e até petistas já defenderam a inconfiabilidade do voto sem comprovante auditável quando estavam na oposição. Como acrescentar uma camada de segurança à votação ofenderia as instituições democráticas?
As urnas eletrônicas, afinal, têm passado por inúmeros testes de segurança e dado repetidas mostras de bom funcionamento há mais de 25 anos, com a eleição de milhares de políticos dos mais diversos partidos.
Por que então não implementar a mudança que traria segurança definitiva, sem a qual todas as outras podem ser simples perfumaria? Que teste assegura que todas as urnas estão carregadas com o sistema mostrado em exposições primárias, sem malandragens de software ou hardware que possam ser acionadas em alguns casos?
Cartuchos com programas alternativos, acionamento de interrupção do microprocessador por radiofrequência... Qualquer um pode pensar em vários modos de burlar o atual sistema. E há quem saiba mais do que nós. Eu não tenho ideia de como explodir milhares de pagers no bolso de meus inimigos, mas tem gente que faz isso.
E o que prova a eleição de políticos de vários partidos? Um fraudador iria passar recibo fazendo as urnas elegerem um só partido? Uma fraude seria muito mais simples de executar e mais fácil de esconder caso se concentrasse na eleição mais valiosa. O ladrão precisa roubar todas as casas da rua para roubar a mais rica?
Questionar esse sistema implica lançar dúvidas sobre todos esses pleitos - o que significaria, se a lógica fosse levada a sério, contestar os mandatos de todos os parlamentares. governadores e prefeitos bolsonaristas que apoiam o ex-presidente em sua cruzada retrógrada e antidemocrática.
Isso já foi respondido, basta pensar na dificuldade para manipular os milhares de candidatos e eleitos para verificar o problemão que seria fraudar eleições para deputado ou vereador. Mesmo para governador ou prefeito, seria preciso alterar procedimentos para cada estado ou cidade.
O problema sempre será a eleição presidencial. Essa diferença poderia inclusive explicar a mágica, recorrente entre nós, de um eleitorado que elege deputados mais à direita e um presidente de extrema esquerda.
É claro que a rigor a Foice tem razão ao dizer que qualquer eleição recente poderia ser contestada. Mas ninguém poderia provar que elas foram realmente fraudadas e ninguém está interessado nisso. O que se quer é apenas evitar as fraudes futuras. E antidemocrático é quem deseja deixar a porta aberta para que estas aconteçam.
😕 😕 😕
Faltou também os jornalões explicarem porque nós e o Butão somos os únicos soldados de passo certo nesse batalhão. Pela "lógica" utilizada até aqui, creio que eles acabariam dizendo que os retrógrados bolsonaristas estão dominando a Europa e quase todo o mundo. Se eles acreditam que os caras já mandam no Trump, por que não?

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