terça-feira, 24 de junho de 2025

Salvadores de quem não os quer

Não, William Bonner, as redes sociais não são, como você disse, um "problema para a humanidade". Elas são um problema para você, para aquele professor da universidade francesa de que falamos esses dias e para todos que estão incomodados com o fato das pessoas agora se comunicarem sem a sua "mediação".

A humanidade, a imensa maioria dela, vê as redes como solução, tanto para se comunicar entre si como para ter acesso à informação sem passar pelo filtro de um panaca como você. Claro que nelas nós também podemos topar com um malandro mentindo que o ladrão foi inocentado, mas isso acontece em todo lugar.

As redes não são problema nem para quem não as aprecia, pois basta não acessá-las para não ser perturbado por elas. Nesse ponto elas são iguaizinhas à TV, quem não gostar de um programa deixa de assisti-lo como eu e tantos outros acabamos fazendo com aquele jornal que você degradou.

Observe, aliás, que ninguém daria bola se você tivesse falado na TV. Sua declaração sobre as redes sociais (e a internet em geral) só causou alguma polêmica porque foi publicada na internet. Você devia agradecer, pois esta deve ter sido a maior atenção que recebeu nos últimos tempos.

Era isso. Agora volte lá pro seu cantinho e prepare as narrativas que vai tentar enfiar goela abaixo dos telespectadores que lhe restaram esta noite. Nem tudo está perdido, lembre que para usar as redes é preciso ser alfabetizado e você e o grupo político para o qual trabalha ainda têm muito analfabeto para enganar.

Ação entre amigos

Bonner e o professor de Paris não estão sozinhos, o nosso STF, só para citar um exemplo, também está de repleto de salvadores da humanidade ingrata. E um dos aspectos mais tristes dessa missão é que as pessoas hostilizam os que só querem beneficiá-las, impedindo-os de levar uma vida normal.

Todos eles se sentem solitários, reclamam que não podem mais frequentar o clube, passear no shopping, pegar avião de carreira e tudo aquilo que os exponha aos comuns. "Isso não é vida", como bem disse a apresentadora Daniela Lima ao mencionar as agruras vividas por seu defensor da democracia preferido.

Deve ser mesmo muito triste, mas acho que está faltando criatividade para enfrentar o problema. Eles deviam se unir entre si, estreitar os laços de amizade, combinar um futebolzinho seguido de churrasco no fim de semana, um pôquer na quarta, essas coisas. Fica a dica.


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