Primeiro convenceram o Boulos de que o voto dos radicais ele já tinha e a questão era conquistar os moderados que receavam aquele sujeito agressivo que enfrentava a PM, comandava invasões de terrenos e prédios ou contratava vagabundos de torcidas organizadas para fazer protestos na Paulista.
Deu certo com o ídolo dele, por que sua versão "paz e amor" não poderia funcionar? E assim surgiu o candidato incisivo porém ponderado, o professor (de que? desde quando? onde?) de gestos estudados, relativamente bem vestido, bem penteado, um doce de pessoa, menino de ouro da vovó.
Mas não funcionou. Nem ao segundo turno ele teria chegado se mais alguns poucos milhares de petistas tivessem seguido o exemplo dos 50 mil jumentos que não conseguiram digitar o número certo na urna. Chegou por pouco e precisa virar muitos votos para ganhar, a maioria deles dados a Marçal.
É nisso que alguns petistas se apegam para dizer que Boulos deve radicalizar. Marçal não era agressivo e provocava todo mundo? Então é isso que ele precisa fazer para atrair seus eleitores. Se eles querem mudanças, basta convencê-los de que Boulos quer mudar, o pessoal nem vai perceber que o boné dele é do MTST.
E se não der certo? Mais um motivo para chutar o balde, segundo o filósofo Alysson Mascaro. Para ele é perdido por um, perdido por mil, Boulos deve aproveitar o segundo turno para politizar a população à esquerda, ocupando seu horário de TV com propostas da verdadeira esquerda e "sangue nos olhos".
O Alysson pode ter certa razão, talvez o pessoal começasse a assistir o horário eleitoral para se divertir com a mudança do cara que mudou. O Boulos é que deve ficar esperto com essas contínuas alternâncias, ainda mais no partido dele. Se bobear, na próxima eleição para prefeito conheceremos Guilhermina, a candidata trans.
Vingança maligna
Ele saiu prometendo que se vingaria e se refugiou num terreiro de candomblé. Pois agora, um mês depois, 88 terreiros de candomblé estão entregando ao ex-presidiário uma carta em que reclamam da maneira como são tratados pela ministra da Igualdade Racial, responsável imediata pela sua desgraça.
O que tem a ver uma coisa com a outra? Não pode ser tudo coincidência? Poderia, mas o pai de santo que encabeça a lista já foi secretário do ministarado e os batuqueiros também reclamam do chute no seu ex-chefe e da demissão de um funcionário da ministra que o defendeu. É a vingança em ação. E isso pode ser só o começo.
O que tem a ver uma coisa com a outra? Agora é a gente que pergunta. O estado que tem menos negros no país é o que mais tem centros de umbanda e candomblé. O desgoverno considera que existe uma religião de negros que deve ter benefícios que as outras não têm? Pelo jeito, sim.
O estado é o Rio Grande do Sul. Mas em termos de bruxaria a questão é outra. De acordo com os dados da União Wicca do Brasil, o estado que reúne mais praticantes das suas artes é o Rio de Janeiro. Será que a ministra, que é do Rio e chegou ao cargo por pura magia, também não tem suas proteções?

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