A capacidade de levantar 142,5 milhões em duas emissões de debêntures é um bom sinal para a empresa. Mas necessitar desses milhões nem tanto, principalmente se isso for feito para rolar uma dívida anterior, como uma rápida pesquisa indica que pode ser o caso do Estadão.
Uma das debêntures de agora dá direito a 12,5% dos lucros do grupo, tem prazo de uma década e pode ser renovada por mais uma. A outra, também remunerada pelos resultados, é um título perpétuo conversível em ações. Além disso, a família Mesquita colocou 15 milhões no negócio e cedeu 10% de suas ações na Agência Estado.
Não tenho maiores detalhes e a "rolagem da dívida" vai por minha conta, pois eles fizeram operação similar há pouco mais de dez anos. Uma reportagem do próprio Estado afirma que o dinheiro servirá para introduzir novidades tecnológicas que farão o grupo arrebentar no meio digital, conquistar fortunas em propaganda e blá blá blá.
A esperança deles deve estar mais nos serviços oferecidos pela Agência Estado que no jornal, que talvez hoje não passe de uma grande vitrine. E o importante é que os investidores que o analisaram melhor acreditam no negócio e devem estar certos, de maneira que o Ex-tadão ainda nos incomodará por um bom tempo.
Financeiramente, um chute. Supondo que as duas debêntures são de mesmo valor e dão direito ao mesmo percentual dos lucros, ambas levarão 25% destes. Supondo ainda que o pessoal espera ganhar 10% dos 142,5 milhões ao ano, o lucro anual da empresa estaria em 57 milhões.
Será por aí? Eles fariam essas operações se lucrassem isso? Não tenho ideia, tudo pode mudar se a suposição inicial estiver errada e o valor da segunda debênture for muito maior que o da que paga 12,5%. De qualquer modo, fica claro que esse pessoal se aguenta, mas está longe de ser uma Rede Globo.
Desastre à vista
Seria pior se o presidente do grupo Estado fosse um ladrão retirado da cadeia por truques jurídicos e seu diretor financeiro fosse especialista em pintar faixas de ciclovia nas ruas. Pois tem um lugar em que fizeram isso e o resultado esperado está sendo atingido antes do previsto.
No ritmo atual, mesmo com os aumentos de impostos, o Governo Federal logo terá todas as suas receitas comprometidas com gastos fixos. Todas. Até jornalistas que fingiram acreditar no "arcabouço" estão falando em diminuir despesas obrigatórias em áreas como saúde e educação. Pode vir aí uma baderna geral.
"A imprensa que elegeu um corrupto está indignada com a mutreta que favoreceu seu corruptor." É verdade, pelo menos finge estar. O problema é que quem escreveu isso foi o Reinaldo de gôndola, Diogo Mainardi, que parece ter esquecido do que fez no último verão. É muita cara de pau.


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