domingo, 25 de dezembro de 2022

Fogo na coroação de Natal

Devido ao significado da data que já era comemorada há milênios na era pré-cristã e ganhou um peso ainda maior com a nova religião, o Natal era considerado um excelente momento para coroar um rei.

Foi no Natal de 800, por exemplo, que o papa, dizem que de surpresa, colocou a coroa sobre a sua cabeça quando ele estava ajoelhado e transformou o rei dos francos, Carlos Magno, em imperador do Santo Império Romano - uma tentativa de reviver o antigo império numa área que englobava quase toda a Europa Ocidental.

Carlos Magno se foi, os vikings começaram a incomodar e, pouco mais de um século depois da tentativa papal, os francos acabaram por lhes conceder um território, a terra dos homens do norte, ou Normandia, uma região banhada pelo Canal da Mancha, a um pulinho marítimo da Inglaterra.

Outro século e pouco depois, em 1066, Guilherme, duque da Normandia, atravessou o canal para reivindicar o trono que lhe havia sido prometido por Eduardo, o Confessor. Desembarcou em 30 de setembro, venceu o último rei anglo-saxão - Harold Godwinson - na batalha de Hastings em 14 de outubro e tratou de anular os que apoiavam seu último rival viável - Edgar, sobrinho-neto de Eduardo - nas semanas seguintes.

A partir daí Guilherme, o Bastardo, se transformou para sempre em Guilherme, o Conquistador, o que já era uma vantagem e tanto. Mas ele precisava oficializar a nova situação e para tal dirigiu-se a Londres, onde seria coroado na Abadia de Westminster, no dia de Natal.

Para promover a unidade do seu novo reino, os ritos saxão e normando foram usados durante a cerimônia, com os bispos falando inglês e francês. Mas a atmosfera era tensa, com os soldados normandos de Guilherme cercados pelos londrinos que ainda não tinham nenhuma simpatia pelo novo monarca.

Por fim chegou o momento em que os bispos perguntaram se o "povo" apoiava o novo rei e, evidentemente, entre o povo que estava dentro da abadia ninguém era louco de dizer que não. Gritos de aprovação entusiasmados ecoaram pelo recinto.

Porém, fora dele, na rua, os nervosos guardas de Guilherme confundiram o barulho com uma tentativa de assassinato e passaram a incendiar os edifícios próximos para impedir um ataque da população. Tumultos eclodiram. Os espectadores saíram correndo da igreja, deixando o novo rei e o clero sozinhos para completar a coroação.

Guilherme também tinha medo de uma revolta e, para se defender, ordenou a construção de um castelo, que, erguido rapidamente com madeira, deu início à atual Torre de Londres. Em 1078 a madeira começou a ser substituída pela pedra.

E a construção de castelos seria um dos legados do Conquistador, que ergueu cerca de 500 deles na Inglaterra e no País de Gales até sua morte em 1087. Uma média de dois castelos por mês!


Com informações da BBC History

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