segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Destransição na Suécia

A Suécia acaba de alterar suas diretrizes para o tratamento de jovens com "identidade de gênero" distinta do seu sexo biológico. Em linguagem simples, ao invés de estimular a mudança física do adolescente com hormônios e outros medicamentos, o médico deve agora tratar da sua mente, dar-lhe preferencialmente "apoio psicossocial".

A norma anterior se baseava nas sugestões da WPATH (Associação Profissional Mundial de Saúde Transgênero), organização denunciada por médicos e profissionais de saúde mental por sua "adesão a pontos de vista não suportado por evidências, exclusão de preocupações éticas e descaracterização da ciência básica".

Entre os problemas causados pelas recomendações da tal WPATH, três se destacam no caso sueco.

O primeiro foi "o aumento acentuado e não explicado de casos de disforia de gênero juvenil, principalmente em adolescentes sem histórico anterior de angústia de gênero", uma forma elegante de dizer que colocar o produto (tratamento para mudar de gênero) na prateleira do mercado faz surgir quem o compre.

O segundo foi "a falta de evidência científicas confiáveis", outra maneira bonitinha de admitir que o sistema de saúde lacrou, deixou de considerar os fatos evidentes para adotar uma ideologia sem base alguma na realidade.

E o terceiro e mais grave foi "o aumento dos casos de destransição", em que o jovem percebe que fez uma asneira e quer voltar ao seu sexo verdadeiro, um drama pessoal cuja dimensão se pode imaginar, pois mudar de sexo é relativamente fácil em alguns animes japoneses, mas nem tanto na vida real.

Bem, pelo menos a Suécia está fazendo sua destransição. O país que analisou a situação com independência e se recusou a entrar na histeria do fecha-tudo durante a pandemia está consertando o erro cometido na questão do "gênero". Por aqui, com o possível governo do ex-presidiário, a expectativa é exatamente a oposta.

Corpo e espírito

Uma coisa interessante é que essa história de "identidade de gênero" pressupõe que nós não somos nossos corpos físicos, com seus órgãos, hormônios e tudo o mais. Seríamos então entidades incorpóreas que vestem corpos (talvez até corpos sobre corpos, como em certas linhas de pensamento) e de vez em quando recebem a vestimenta errada?

Poderia ser. Mas a lacrolância não apenas recusa visões desse estilo como diz exatamente o oposto quando se trata de nossos pigmentos, pois nesse caso você é negro ou branco e, numa espécie de karma cromático, tem inclusive créditos ou débitos de nascença de acordo com sua cor.

Algum filósofo lacrolandês deveria nos explicar melhor como tudo isso funciona. Dizem que Márcia Tiburi está voltando. Quem sabe?


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