O grande ausente nos jornais de hoje é o Dia do Professor. Ao contrário do que era comum no passado, não se encontra um só colunista chorando suas saudades da professorinha. E também sumiram aqueles artigos sobre as dificuldades enfrentadas pelos "trabalhadores da educação". Nada, não se fala do assunto.
A única referência à classe é um artigo da Folha em que o historiador Murilo Cleto pede que os colegas das humanas, tão fanaticamente petistas quanto ele, maneirem um pouco no pavor e nas críticas ao bolsonarismo.
Por ali descobrimos, por exemplo, que rola entre a turma o boato de que o recente incêndio na UFPE foi causado por bolsonaristas. Para Cleto, isso é um erro. Não porque ele duvide que os extremistas de direita possam fazer algo assim, é evidente, mas porque "o passo entre o 'não duvido' e 'foram eles' foi rápido demais". Um espírito imparcial e magnânimo, como se pode ver.
De interessante, descobri que Flávio pretende subordinar o ensino superior ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação. Cleto se assusta com o que lhe parece esconder a intenção de "submeter a produção científica ao interesse de empresas, mortal para certas áreas do conhecimento que não operam a partir de uma lógica de mercado".
Não sei se entendi bem, mas eu acho que ele quis dizer que nosso governo deve continuar gastando muito dinheiro para formar e depois contratar gente que só sabe fazer política partidária e conversar fiado, sem produzir, nem mesmo em termos exclusivamente intelectuais, nada de útil ou inovador para o país.
Ausentes das urnas
Mais de 33 milhões de pessoas não foram votar no primeiro turno. Mas as notícias não são muito animadoras para quem acha que todas elas são votos que podem ser conquistados. A abstinência sempre gira em torno desse percentual de 20 a 21%, e há motivos para que isso seja assim.
Em primeiro lugar, entre menores de 18 anos e maiores de 70, nós temos um total de 20 milhões de eleitores que não têm obrigação de votar. E por razões diversas - os jovens porque encontraram programa melhor, os velhos porque não querem se deslocar - calcula-se que metade não vota mesmo. Já são 10 milhões a menos.
Outro milhão está em cana, e em poucos presídios se pode votar. Meio milhão está com ordem de captura e, embora eleitor não possa ser preso, é melhor não arriscar. E há ainda os que estão jurados pela bandidagem do seu local de votação, cujo número é desconhecido, mas pode ser considerável.
Cerca de meio milhão de eleitores está em um hospital ou enfermaria. Outros tantos estão convalescendo em casa ou prestes a serem internados. Problemas de saúde mais leves também levam muitos a não votar.
Temos um milhão de eleitores no exterior e não mais que um terço deles vota, pois, além de outros problemas, muitos vivem a centenas de quilômetros do seu local de votação. E há o contingente, certamente enorme, dos que precisaram viajar e dos migrantes internos que ainda não atualizaram seu título eleitoral.
Os grupos se entrecruzam e não é possível obter números exatos. Os que restam, que não votaram por desinteresse ou preguiça, devem ser suficientes para mudar a eleição. Mas isso não é fácil porque seu total está certamente muito abaixo dos 33 milhões.

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