sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Gente teimosa


Já tem gente como Fabiano Lana, colunista do Ex-tadão, analisando as pesquisas e concluindo que Lule perde a eleição se não se livrar logo do encosto que virou seu parceiro Xandão. Mas também tem fofoqueiro garantindo que Xandão não largará o osso por conta própria e levará outros consigo se o obrigarem a soltá-lo.

É, o cara é teimoso, possui a "determinação" que tanto encantava um dos admiradores de seus abusos. Não duvido até que pense que fez tudo certo e o dinheirinho que pegou é apenas o justo pagamento por seus serviços. Confesso que fiquei decepcionado quando ele cancelou seu pronunciamento à nação, queria ver o que ele tinha a dizer.

Agora temos que esperar a prometida lavação de togas sujas do próximo dia 15, mas acho que isso não alterará sua decisão. A ideia de compensá-lo com um alto cargo no exterior é uma fria, pois o deixaria muito mais exposto a um retorno da Magnitsky ou alguma outra ação da justiça americana. 

Talvez Xandão deixe a pirraça de lado e concorde em sair se a atual oposição fizer uma grande maioria na eleição para o Senado e/ou conquistar a presidência. Seria o modo dele evitar o impeachment e negociar um salvo-conduto para o futuro. Porém até a eleição ele permanecerá onde está, tomara que o Fabiano tenha razão. 


E tomara que a sua colega de jornal também esteja certa. Em sua crônica de hoje, Elaine Canhotêde lastima que não se possa mais atacar Flávio Bolsonaro por causa do filme. O estrago foi bem menor do que o previsto e não adiantará requentar o tema já absorvido pelo eleitor. "Dark Horse vira pangaré", diz o título que ela escolheu. 

Claro que nem todo militante perdeu as esperanças. A mais furibunda desses é Vera Cagalhães, que teima em equiparar o investimento num filme à aquisição de um juiz. Vorcaro não está nas duas operações? Então é a mesma coisa, escreve Vera com aquela "lógica" que tanto encanta os imbecis.

Mas a verdade é que foi um investimento privado e a atual tentativa de se apegar a emendas que teriam sido desviadas precisa de muito esforço para chegar ao filme e a Flávio. E temos no meio disso a ameaça dos emissários de Dino à produtora, que combina com o péssimo momento do STF e também virá à baila se o assunto avançar.


Outro sujeito teimoso é o Charlinho. Arrogante e sem noção, ele acredita (ou diz acreditar) que tem solução para os problemas do país, que aprendeu mais economia em suas falcatruas do que a Daniela Marques em anos no topo do mercado, e que os milhões de eleitores que não votam nele são todos imbecis que merecem se ferrar.

Acho particularmente divertida a bronca que ele pegou do Cury, que o destruiu com uma frase no debate ("sua agressividade me assusta") e o deixou comendo poeira nas pesquisas assim que mostrou estar na corrida. Restou-lhe atacar o tema de seus livros e dizer, novamente sem base alguma, que o adversário não chega a seus pés.

São posições absurdas, que só aumentam sua enorme rejeição. Mas essa história de que somos os escolhidos e sabemos tudo melhor que ninguém é o que sustenta toda seita. A política e a presidência exigem outra coisa, mas Charlinho está preso ao seu papel de líder de seita e não consegue fazer a transição.  



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