segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os valentões

A militância acordou invocada. Na Folha, dois luminares da economia e da diplomacia - Philip Yang e Monica de Bolle - chegam a tirar um verbo do sótão para dizer que "reciprocar é pouco, o importante é retaliar". Tem que partir pra cima e fazer o Trump sentir, para só então negociar de cabeça erguida com o fascistão.

Como se faz isso? Fácil, o Laranjão publicou uma enorme lista de exceções que revela quais são os produtos brasileiros que os EUA realmente necessitam: suco de laranja, carne bovina, café etc. Basta o desgoverno proibir a exportação desses itens para causar desabastecimento e obrigar os estadunidenses a nos pedirem perdão. 

Como se faz isso? Basta aumentar estratosfericamente o imposto de exportação por decreto presidencial, sem passar pelo Congresso. Não para sempre, mas por uns seis meses, só para que a falta ou o preço mais caro seja sentido pelo consumidor em plena eleição de meio de mandato.

Os exportadores nativos terão um prejuízo monstruoso, demitirão funcionários e criticarão a medida? Sim, mas há momentos em que todos precisam deixar de lado seus problemas individuais e se sacrificar pela nação. É como se fosse uma guerra para a qual devemos seguir sob a liderança do comandante supremo.

Os perigosos neutros

Outro artigo, assinado pela autora do podcast Autoritários, alerta que, segundo um estudo de pesquisadores de alguma universidade, os americanos neutros em relação à preservação da democracia são uma grave ameaça à própria democracia. Um problema que a jornalista logo adapta ao Brasil.

Segundo ela, em 2018, o apoio à democracia era recorde por aqui. Mesmo assim, a maioria votou no terrível Jair Bolsonaro, que anos antes havia declarado que fuzilaria o FHC ou coisa semelhante. A moça acabou não citando os atos concretos de Bolsonaro contra a democracia, mas o importante é que os neutros daqui votaram nele também.

Por outro lado, a censura, as prisões políticas e o restante da barbárie instalada pelo regime pt-stf não foram mencionados porque devem ser muito democráticos. Por aí já dá para ver que o que ela e os autores do estudo chamam de defensor ativo da democracia é só quem vota nos candidatos e pautas à esquerda. 

Sem provas

Se tem uma idiotice recorrente dos militantes de redação é essa história do "sem provas" e seus similares, sempre usada quando eles querem desqualificar alguém. No caso em pauta, a cidadã disse que o Trump ameaça a democracia porque faz "alegações falsas" de fraude eleitoral.

PQP, um alvo das críticas do Laranjão é a possibilidade do sujeito votar sem identificação. Ele não pegou ninguém votando assim, mas não precisa. O meu amigo foi pra praia e eu, que sei onde ele vota, compareço à seção e digo que sou ele. É óbvio que, existindo a possibilidade, haverá quem a aproveite. Não precisa ter "provas", é só raciocinar.


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