A militância acordou invocada. Na Folha, dois luminares da economia e da diplomacia - Philip Yang e Monica de Bolle - chegam a tirar um verbo do sótão para dizer que "reciprocar é pouco, o importante é retaliar". Tem que partir pra cima e fazer o Trump sentir, para só então negociar de cabeça erguida com o fascistão.
Como se faz isso? Fácil, o Laranjão publicou uma enorme lista de exceções que revela quais são os produtos brasileiros que os EUA realmente necessitam: suco de laranja, carne bovina, café etc. Basta o desgoverno proibir a exportação desses itens para causar desabastecimento e obrigar os estadunidenses a nos pedirem perdão.
Como se faz isso? Basta aumentar estratosfericamente o imposto de exportação por decreto presidencial, sem passar pelo Congresso. Não para sempre, mas por uns seis meses, só para que a falta ou o preço mais caro seja sentido pelo consumidor em plena eleição de meio de mandato.
Os exportadores nativos terão um prejuízo monstruoso, demitirão funcionários e criticarão a medida? Sim, mas há momentos em que todos precisam deixar de lado seus problemas individuais e se sacrificar pela nação. É como se fosse uma guerra para a qual devemos seguir sob a liderança do comandante supremo.
Os perigosos neutros
Outro artigo, assinado pela autora do podcast Autoritários, alerta que, segundo um estudo de pesquisadores de alguma universidade, os americanos neutros em relação à preservação da democracia são uma grave ameaça à própria democracia. Um problema que a jornalista logo adapta ao Brasil.
Segundo ela, em 2018, o apoio à democracia era recorde por aqui. Mesmo assim, a maioria votou no terrível Jair Bolsonaro, que anos antes havia declarado que fuzilaria o FHC ou coisa semelhante. A moça acabou não citando os atos concretos de Bolsonaro contra a democracia, mas o importante é que os neutros daqui votaram nele também.
Por outro lado, a censura, as prisões políticas e o restante da barbárie instalada pelo regime pt-stf não foram mencionados porque devem ser muito democráticos. Por aí já dá para ver que o que ela e os autores do estudo chamam de defensor ativo da democracia é só quem vota nos candidatos e pautas à esquerda.
Sem provas
Se tem uma idiotice recorrente dos militantes de redação é essa história do "sem provas" e seus similares, sempre usada quando eles querem desqualificar alguém. No caso em pauta, a cidadã disse que o Trump ameaça a democracia porque faz "alegações falsas" de fraude eleitoral.
PQP, um alvo das críticas do Laranjão é a possibilidade do sujeito votar sem identificação. Ele não pegou ninguém votando assim, mas não precisa. O meu amigo foi pra praia e eu, que sei onde ele vota, compareço à seção e digo que sou ele. É óbvio que, existindo a possibilidade, haverá quem a aproveite. Não precisa ter "provas", é só raciocinar.

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