Já pensou se houvesse um plano estrangeiro para restaurar a democracia no Brasil em torno de um personagem como, digamos, Jacques Wagner? Pois isso aconteceu no Irã, onde o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad estava negociando secretamente com Israel para assumir o poder quando os aiatolás fossem derrubados.
Entre os detalhes do caso, chama a atenção o episódio decisivo em que, durante uma visita a Paris, ele enganou seus guarda-costas para se encontrar com os israelenses. Como bons membros da Guarda Revolucionária, seus protetores o delataram à chefia, que colocou o ex-presidente em prisão domiciliar.
Esses eventos demonstram que ele não era um respeitado ex-dirigente que tinha uma escolta para defendê-lo, era um prisioneiro que podia se mover dentro de certos limites, vigiado constantemente por carcereiros que o acompanhavam aonde quer que fosse. E parece que isso não acontece só com ele.
Mojtaba Khamenei, o aiatolá que teoricamente assumiu o cargo máximo do país depois que seu pai foi morto nos ataques de março, teria sido proibido de participar da recente cerimônia realizada em honra do antecessor. Proibido pela Guarda Revolucionária, que ganha cada vez mais poder conforme a guerra avança.
Já se sabia que não é o presidente eleito que manda no Irã. Agora se sabe que também não deve ser o Conselho dos Aiatolás, espécie de TSE iraniano que determinava quem podia ou não se candidatar à presidência. E nunca foram os militares de carreira, das forças regulares.
Quem manda por lá é um monstro amorfo cuja cabeça ninguém sabe exatamente onde está. Uma entidade fechada, bem armada e bem informada sobre o que acontece em cada canto do país, que também deve dominar o que há de mais lucrativo na economia iraniana. E que não deve ter a mínima intenção de perder seu poder.
Não há nenhuma novidade nisso. Quem manda na economia e no resto de Cuba são os líderes militares e políticos da tal Gaesa, que estão se lixando para as dificuldades do povo. Quem mandava na URSS eram pessoas ligadas à liderança da KGB; aqueles bilionários não surgiram da noite para o dia, já dominavam feudos econômicos antes.
A história se repete, você cria a Guarda Pretoriana e ela se transforma numa máfia que até aceita dirigentes fantoches, mas não respeita verdadeiramente ninguém de fora e nenhuma lei. Na Roma Antiga, Constantino a liquidou décadas antes do fim; hoje em dia talvez não conseguisse. Será que em outros lugares ainda dá tempo?

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