quarta-feira, 22 de julho de 2026

Com quem andas

Imagine o que a nossa imprensa estaria dizendo se Bukele, Milei ou qualquer outro membro da "ultradireita internacional" declarasse que vai acabar com as eleições e mandar para sempre em seu país. Pense como isso seria automaticamente associado ao risco de eleger um aliado dessa gente (um bolsonarista) por aqui.

O tema seria abordado por semanas, todo colunista escreveria sobre ele, todo repórter tentaria obter uma declaração de Flávio Bolsonaro a seu respeito. E ninguém aceitaria a desculpa de que o candidato não tem nada a ver com o que o outro fez; todos recitariam, com razão, o "dize-me com quem andas e te direi quem és".

Para a mesma imprensa, porém, a recíproca não é verdadeira. O Foro de São Paulo foi fundado em 1990 e nunca cobraram o candidato irregularmente descondenado por participar de um clube que juntava da mais longeva e sanguinária ditadura do continente a grupos como MIR e FARC, abertamente criminosos.

Se esses são os amigos com os quais alguém escolhe andar por mais de quatro décadas (pois a amizade precede o Foro), é evidente que esse sujeito é como eles. Ele também tentará se manter para sempre no poder, se aliando com quem possa ajudá-lo, destruindo economias, fraudando eleições e o que mais precisar.

Depois de Cuba, o maior exemplo de sucesso desse modelo era a Venezuela antes da captura de Maduro. Agora, numa nova etapa do processo, Daniel Ortega resolveu deixar todas as aparências de lado e decretou que não haverá mais eleições na Nicarágua. Quem vai mandar lá para sempre é ele, representante local do Foro de SP.

Alguma cobrança da imprensa ao Lara, amicíssimo do bandoleiro centro-americano? Algum artigo indignado? Algum alerta para o que isso revela sobre essa turma? Nada. O fato é noticiado como o resultado da final de um torneio de tênis realizado no Azerbaijão, uma curiosidade distante de nossa realidade.

Bem, eles também não relacionam o explosivo crescimento dos territórios e populações dominados pelas fações com o fato destas mandarem seus soldados votarem no partido que ocupa o poder. E nem a obediência registrada nos votos dos presídios lhes chama a atenção. 85%! Que partido tem esse apoio em algum segmento da população?

Ah, sim, pense também no que aconteceria se a "ultradireita" chegasse ao poder prometendo dar picanha com cerveja e avião a preço de ônibus, mas não entregasse nada e ainda aumentasse o preço de tudo. Nossa brava imprensa lembraria disso todos os dias. Mas quando a picanha de seus donos está garantida eles deixam para lá.



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