"Bloqueios da internet na Rússia abalam popularidade de Putin" é o título que resume a matéria publicada no site brasileiro da DW. É verdade que os jornalistas de lá gostam tanto de Putin como nossa imprensa de Bolsonaro, mas neste caso não parece haver nenhum exagero além do "abalam".
O melhor talvez fosse "diminuem", pois os russos tratam Putin como uma espécie de czar do qual se reclama, mas com o qual se é obrigado a conviver. Ele tem vencido sucessivas eleições por larga margem e, segundo o instituto estatal de pesquisas, sua aprovação caiu este ano, mas ainda está próxima dos 67%.
Já sua luta contra a internet não tem a mesma popularidade. Bloqueios do Telegram, tentativa de empurrar um substituto estatal, combate ao uso de VPN, programas de TV defendendo a beleza da vida sem internet... Nada disso agrada ao russo médio, que tem crescentemente apoiado partidos que se opõe a tais medidas.
É natural, quase toda empresa de lá se comunica com seus clientes pelo Telegram como fazem as nossas pelo WhatsApp. E as pessoas querem conversar entre si sem intermediação do governo. Ninguém precisa de ajuda para decidir se algo é confiável ou não, ninguém gosta de ser calado.
Aqui também
Por aqui, o regime luloalexandrino vai na mesma toada. Disfarçadas como leis para proteger crianças ou expostas sem nenhuma vergonha por uma AGU que tenta proibir críticas a um projeto, as ações e os discursos dos atuais detentores do poder não deixam nenhuma dúvida sobre as suas intenções.
Nem poderia deixar, desde que a autodenominada "putinha do PT" inventou os zaps hipnóticos de Bolsonaro eles já proibiram o X e quiseram lhe ensinar a fazer moderação de conteúdo, ameaçaram multar quem usasse VPN, detiveram pessoas por posts, fizeram o diabo. E só não fizeram mais porque não conseguiram.
Agora prometem fazer. O lado supremo do regime anda meio recolhido, mas não se passam alguns dias sem que o cachaceiro comunista manifeste seu desejo de censurar. O que abre a oportunidade para denunciar suas intenções e apresentá-lo aos mais jovens como o velhote ranzinza e desatualizado que também é.
Os oposicionistas estão fazendo isso por conta própria, nas redes, mas toda ajuda é bem-vinda porque a promessa de mais censura não afeta as pessoas de maneira imediata como o preço do mercado. Flávio ainda está na fase de jogar parado, mas talvez fosse bom ele e seu entorno falarem mais desse tema, destacá-lo desde já.
Merdal
Em O Globo de hoje, Merdal se supera ao relatar a seguinte sequência: a) Bolsonaro tinha "a clara intenção de dar um golpe"; b) para evitá-lo, os democratas se uniram em torno do STF e até lhe perdoaram (ele faz seu mea culpa) alguns excessos; c) o poder assim adquirido subiu à cabeça dos supremos, que agora ameaçam a democracia.
Como ficção é passável, mas verdade é: a) os derrotados em 2018 é que acusaram Bolsonaro de ter essa intenção (e de matar gays etc.) e intenção sem tentativa não é nada; b) Bolsonaro tinha razão sobre o STF, que sempre se mostrou arbitrário; c) alguns canalhas que apoiaram a suprema sacanagem agora querem tirar o corpo fora.
Gente como Merdal merecia apanhar de relho.

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