Ao final do primeiro turno da eleição de 1989, Collor, com 30,48% dos votos válidos, e o ladrão, com 17,19%, foram para o segundo turno. Brizola quase chegou lá com 16,51%. Covas teve 11,52%, Maluf 8,85%, Afif 4,84%, Ulysses 4,74% e Roberto Freire 1,14%. Os outros catorze ficaram no zero vírgula.
O desempenho de Brizola foi turbinado pelos 62% que ele obteve no Rio Grande do Sul, onde sempre teve moral por conta própria e por ser visto como o herdeiro de Getúlio Vargas, cujo retrato, décadas depois de sua morte, ainda ornamentava as paredes de casas de família e estabelecimentos comerciais (não só no RS).
Lembrando desses fatos, acabei criando uma ucronia (história alternativa) em que eu precisava votar para presidente com 16 anos de idade e acabava convencido pelos mais velhos a escolher o maravilhoso Getúlio, que, quinze anos antes, havia deixado a presidência com 80% de aprovação.
Votava esperando um espetáculo, mas só recebia um velhote parado no tempo, que não cumpria suas promessas, fazia piada sem graça para plateia cativa, taxava os discos de rock que vinham do exterior para prestigiar os sambistas auxiliados pelo governo, deixava sua família roubar dinheiro público e só falava da sua já antiga CLT.
O resultado é que na minha segunda vez eu o largava de mão e ainda era seguido pelos que votariam pela primeira vez (o que acontece ao natural nessas faixas etárias). E como eu não era exceção, mas a norma, o painho original acabava perdendo o apoio da juventude de uma eleição para outra.
A analogia não é perfeita, óbvio, mas explica ao menos parcialmente o que está acontecendo agora com o ladrão. A garotada acreditou no avô ou no professor petista, mas percebeu que levou gato por lebre, abóbora por picanha. Ele é um site que não entrega o que foi comprado, não tem propaganda que dê jeito nisso.
E o descondenado não sabe agir de outro modo. Da outra vez o enganador mudou o nome da bolsa do FHC, gastou o boom das commodities e conseguiu empurrar a bomba para estourar no colo da sucessora. O país estava se recuperando com Temer e Bolsonaro, mas além do baque da covid, não podia repetir a irresponsabilidade anterior.
Isso só na economia, pois o jovem de hoje é mais tradicional em termos de costumes e muito mais moderno em termos de tecnologia do que o de 2003. A leniência do malandro com a pauta woke e o seu eterno desejo de censura conflitam ao natural com a maioria desse eleitorado.
Acho que é mais ou menos por aí.
Voltando à minha ucronia, Getúlio estava tentando reverter a baixa popularidade através de um grande acordo econômico com o mercado europeu. Mas as negociações eram difíceis porque Rudolf Hitler, filho do Adolf, receava prejudicar os agricultores da França e outras províncias do Reich.

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