Para quem não lembra, alguém mandou uns milhões para o filho do descondenado - não o Ronaldinho, o outro - e os petistas inventaram que o dinheiro era para pagar uma "consultoria esportiva" que, quando apresentada, revelou-se pouco mais que uma colagem grosseira de textos e imagens retiradas da internet.
Troque filho por esposa, o "eleito" por quem o "elegeu" (foi o Barrosa quem disse) e consultoria esportiva por código de ética. Pronto, está feita a mágica que justificaria aquele contratinho de 129 milhões. Bem, mas a mulher é advogada e tem outros trabalhando para ela, pelo menos deve ter feito algo apresentável, não é?
Pois não fez. O troço é outra coleção de recortes amarrados sem maior atenção. Mesclar singular e plural como em "negociação fraudulentas" é um erro que eu cometo todo dia por aqui, mas escrevendo na corrida e sem maiores obrigações. E em geral eu o percebo depois e o corrijo sempre que possível.
Numa proposta comercial isso já seria vergonhoso, quanto mais num pretenso documento a ser usado pelos funcionários do cliente. Qualquer um revisaria o texto cem vezes ou, pelo valor envolvido, contrataria um revisor profissional. Dona Vivi não estava nem aí, deu uma olhada por alto e mandou ver.
Alguns poderão considerar ainda mais grave o erro de lógica que une o "você não deve" a "impedir", pois é óbvio que o correto seria "você não deve permitir". Na verdade, é mais grave, mas neste caso eu creio que existe uma explicação: Vivi contou com o auxílio do marido para chegar a essa redação.
O sujeito usa "a diferença entre tentar e atentar" para concluir que uma alegada tentativa de crime não precisa ser provada. Acredita que o parágrafo de um código interno conter a expressão "nos demais casos" o transforma numa lei superior à Constituição. Pensa que pessoas desarmadas podem ser culpadas por atos que exigem armas pesadas.
Com toda essa lógica, é natural que ele considere que "você não deve impedir que sejam utilizadas informações inverídicas" seja uma regra válida e superior a qualquer outra ordenação. Nesta hipótese, ao utilizar desculpas engana-gado para justificar o contrato com o banco ele estaria apenas cumprindo a lei com rigor.
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Não bastasse a mesada do Ronaldinho, ainda tem a grana do irmão. Investigando a fraude contra os aposentados, a Justiça ordenou o bloqueio de mais de meio bilhão de reais do seu sindicato. O valor é escandaloso, muito maior que o dos Moraes, mas a imprensa continua a defender a família petralha como pode.
Os amigos do STF são sacrificados nas manchetes para que as notícias sobre o roubo dos velhinhos sejam colocadas em segundo plano. E nenhuma destas ressalta o principal: o irmão só se tornou vice-presidente depois que o chefão tomou uma medida que facilitou o assalto do sindicato. Foi tudo planejado com o cinismo habitual.
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Todos sabem que o PT depende dos votos da bandidagem e só finge combatê-la para não perder o gado que tem medo de assaltante, mas não liga uma coisa à outra. O que ninguém esperava é que eles fossem rasgar a fantasia nesse esforço absurdo para evitar que Trump chame nossos narcoterroristas do que são. Que coisa!
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