sábado, 19 de julho de 2025

Começou a reação

Em O Rato que Ruge (comédia de 1959), um pequeno e folclórico país declara guerra aos Estados Unidos para perder e, ao contrário de sua própria expectativa, acaba vencendo. Na vida real, contudo, qualquer paiseco que encarar os EUA com alguma expectativa de vitória acabará perdendo.

Citando o exemplo do Panamá, era o que lembrava o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança ao Cláudio Dantas. Os americanos foram apertando Noriega até que, vendo que ele ainda queria jogar aquela região estratégica nas mãos de seus inimigos, invadiram o país para prender o ditador-traficante e uma centena de seus apoiadores. O processo todo levou quatro anos, mas pode ser mais rápido com outros. 

Caso pessoal

Algo que pode apressar esses desfechos é levar as coisas para o lado pessoal. Que elas já estejam nesse ponto é o temor de Merdal em O Globo de hoje. E ontem a Folha publicou que Trump "teria dito" que o mais recente arbítrio de Moraes contra Bolsonaro foi equivalente a uma declaração de guerra contra ele e os EUA.

Não é inteligente

Comprar uma briga dessas não é muito inteligente para o rato. E pior é querer bancar o sabido sem ter conhecimento. Não bastasse ignorar que o Brasil de 1822 não era colônia, mas parte do Reino Unido, Moraes agora resolveu citar Machado de Assis sem perceber que a frase escolhida se voltava contra ele.  

"A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional", escreveu Machado em 1876. Mas a construção da frase já demonstra sua ironia. E seu objetivo era criticar os que invocavam a "soberania" para defender a fraude eleitoral "que a esta hora se começa a manipular em todo este vasto império".

No mesmo artigo, o escritor lamentou que 70% dos eleitores fossem analfabetos que votavam como quem fosse a uma festa. Será que na época eles distribuíam bolo e o pessoal pegava de balde? De qualquer modo, ato falho do careca. E papelão da ridícula imprensa servil que o elogiou pela erudição. 

Novas fontes 

Como a embaixadora craque da Canhotede e os demais representantes do desgoverno, os membros dessa imprensa chulé não conseguem falar com ninguém em Washington. O que fez surgir manchetes como esta, da Folha: "Governo dos EUA diz a bolsonaristas que sanções devem aumentar na próxima semana".

Sim, você não entendeu errado, eles agora se baseiam nas lives do Paulo Figueiredo ou nos tuítes do Bananinha para saber o que está acontecendo. Agarrados às bolas dos supremos para os quais se acostumaram a fazer assessoria de imprensa, parecem tão afetados pelas sanções quanto eles.

Boa lista

Tudo indica que os "bolsonaristas" também elaboraram a lista de sancionados. Os americanos provavelmente não saberiam que era necessário deixar de fora os nomeados por Bolsonaro e dar um voto de confiança ao Fux. E não teriam incluído nomes como o dos delegados da PF e do Lewandowski.

Pessoalmente, agradeço ao Trump por ter me atendido em relação ao Gonet. E quero elogiar a perspicácia de quem incluiu o nome de Rodrigo Pacheco. Ele está ali porque merece, mas também para transmitir o recado de que a artilharia pode se voltar contra os cúmplices do regime na Câmara e no Senado. Viu, Motta? Entendeu, Alcolumbre?


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