segunda-feira, 24 de julho de 2023

A ultradireita está chegando

Eu continuo tentando saber qual é o mal que o governo húngaro de "ultradireita" está fazendo ao seu país. Prisões irregulares e censura por motivos políticos, eleições fraudadas que não podem ser auditadas, o que será? Os jornalistas de esquerda que usam o termo entre aspas nunca nos explicam por que o Orbán é tão horrível.

E não é só ele. É, cada vez mais, a Europa toda. A Polônia e outras já estavam, a Itália foi há pouco, a França está sob risco de ir na próxima, um partido de ultradireita já é o preferido na antiga Alemanha Oriental, até nas antigas fortalezas social-democratas lá de cima a terrível ultradireita está crescendo.

Agora, na Espanha, faltou um pouquinho, sete deputados. A ultradireita estava aliada à direita tradicional, como acontece em vários dos casos em que chega ao poder. E eles ganharam a eleição, mas sem o número de deputados necessário para formar o governo sem depender de mais ninguém.

O fiel da balança podem ser os pequenos partidos separatistas da Catalunha e do País Basco. E ele podem se acertar com a esquerda, é evidente, mas prometem cobrar a fatura em termos de plebiscitos para separar ou dar mais autonomia às suas regiões, num separatismo que combina mais com a... ultradireita.

Sim, esse é um dos males que a imprensa vê, os partidos de ultradireita querem tornar seus países mais independentes dos burocratas da União Europeia. Mas o que significa isso na prática? Prisões de inimigos políticos? Censura? Qual é o mal do Orbán? O que existe de tão ameaçador nos caras?

Cada partido é diferente do outro, mas, pelo que nos diz a imprensa de esquerda, o problema envolve um mix que inclui estabelecer barreiras à entrada de imigrantes provindos de outras culturas, valorizar a família tradicional e impor restrições ao que a mesma imprensa chama de "direito ao aborto" e "direitos dos lgbt".

Pois é, se ao menos eles passassem a dizer que seus inimigos políticos são animais selvagens que precisam ser extirpados. Mas não, os monstros querem mesmo é evitar que seu país seja tomado por outra cultura, crianças sejam assassinadas no ventre da mãe e outras sejam registradas com pai e pai, sem mãe. É assustador.

E aí, estúpido?

A única referência à economia aí em cima está, quando muito, embutida em questões como os custos de acolher refugiados e os empregos que imigrantes podem retirar dos locais. De resto, a briga é inteiramente cultural. E eu não fiz nenhum recorte tendencioso, as análises dos jornais são todas nessa linha.

Reitera-se assim o que foi dito pelo marqueteiro copiado aqui na semana passada e a gente sempre tem assinalado: com seus habitantes divididos por questões culturais, a economia vai se tornando cada vez menos importante nas eleições dos países ocidentais.

Sistema arcaico

Esses dias foi na França, agora na Espanha. Nada de fortunas gastas em máquinas, nenhuma necessidade de explicação sobre questões técnicas, nenhuma discussão. E nenhum atraso na apuração. Os eleitores votam em cédulas de papel e no mesmo dia já se conhece os vencedores.

Mas, a não ser que Barrosa e seus amigos estejam mentindo, eles elogiam a jabuticaba eleitoral brasileira e a consideram a mais avançada do mundo. Vai ver que só não tiveram capacidade de instalar algo igual por lá. Devem morrer de inveja da gente.


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