Onde estão as fake news? Pois é, o fantasma das falsas mensagens que fariam as pessoas votarem na "extrema-direita" não apareceu. A não ser que você considere mentira chamar um sujeito que puxou cadeia de ex-detento (conheço um tribunal que considerou), quem mais mentiu na eleição foi, como sempre, a esquerda.
Mas também não precisa mais disso para censurar ou prender alguém. Basta o sujeito fazer um site humorístico de sucesso para precisar se exilar. E não é que falte bom humor aos que os condenam. Pelo contrário, eles gargalham gostosamente nas festas com os candidatos preferidos e quando zoam os manés. Só não pode é rir deles.
Eles disseram que o programador de um sistema relativamente complexo não pode alterá-lo de mil maneiras que não deixarão rastro? Então é assim, você não pode nem achar engraçado. E o mesmo vale se a prova de segurança que eles apresentarem for a impressão de um boletim que dá o mesmo resultado do sistema eletrônico.
Imagine se a moda pega. Você inventa uma doideira qualquer e a apresenta na tela do computador, depois imprime o que está lá e isso passa a comprovar sua tese. Nossos jornais não viram nada estranho nesse procedimento. Deve ser porque eles mesmo agem assim, só que ao revés, sua versão eletrônica veio depois da impressa.
Mas é pela leitura dos jornais de hoje que podemos dizer que as fake news saíram de moda. Talvez o pessoal tenha cansado de esperar por exemplos concretos que nunca apareciam, talvez exista outro motivo, mas creio que elas estão começando a ser substituídas por riscos como o "golpismo" e o "terrorismo" (G&T).
Tia Reinalda está furiosa, cobrando autoridades e pedindo prisões. Só que não é só ela. Você vai ler o Ex-tadão e está lá no editorial: "Bagunça golpista exige punições". No meio do artigo se misturam o sujeito que queria colocar a bomba em Brasília e os "indícios de que existem pessoas armadas nos acampamentos golpistas".
"Indícios..." Mas ambos, a jornaleira e o jornalão, não têm dúvida alguma de que a culpa é de Bolsonaro. Titia quer julgá-lo, condená-lo e prendê-lo - não necessariamente nessa ordem. O outro se contenta em dizer que o presidente é culpado porque não está mandando o pessoal voltar pra casa e assistir quietinho a posse do ex-detento.
E dá a impressão de que tudo isso aumentará nos próximos tempos. O atual "você é culpado por dizer o que eu não quero que digam" se transformará no "você é culpado por não dizer o que eu quero que digam". E, com ou sem indícios, o "golpismo" e o "terrorismo" ocuparão cada vez mais espaço no noticiário.
Até onde iremos é difícil prever, mas, como eles dizem, é preciso proteger nossas instituições. Outra notícia oferece um exemplo do que pode estar vindo aí: o PT pretende suspender todo porte de arma em Brasília no próximo dia 1°. É uma medida limitada. Mas, se colar, por que se restringir a uma só cidade e a um só dia?
Casos concretos não são necessários, como vimos com as fake news. E se para combatê-las chegamos até aqui, até onde não poderemos ir para salvar a democracia do golpismo e do terrorismo?

Nenhum comentário:
Postar um comentário